
Reportagem:
Por Ligia Martins de Almeida em 16/10/2007
O fato de o aborto ser ilegal ou permitido parece não fazer diferença para as mulheres que querem interromper uma gravidez. A conclusão é da Organização Mundial de Saúde, que levantou dados em diferentes países onde o aborto é proibido e permitido por lei. A matéria, do New York Times, foi traduzida e publicada pelo jornal O Estado de São Paulo em 13/10/2007.
Os principais pontos levantados:
*** As taxas de aborto são parecidas entre países onde a prática é legal e onde é ilegal.
*** A proibição do aborto não inibe sua prática. A taxa de aborto por 1.000 mulheres, em 2003, foi semelhante na maioria das grandes regiões do mundo - África, Europa e América Latina - ficando entre 25 e 35.
*** Em todo o mundo os abortos correspondem a 13% das mortes de mulheres durante a gravidez ou parto.
*** Cerca de 20 milhões de abortos que podem ser considerados inseguros são feitos todos os anos no mundo e 67 mil mulheres morrem por complicações decorrentes desta prática, a maioria em países em que o aborto é considerado ilegal.
*** O número total de abortos no mundo caiu de 46 milhões, em 1995, para 42 milhões em 2003 – redução de 8,7% em oito anos.
*** A melhor forma de diminuir as taxas de aborto não é considerá-lo ilegal, mas tornar os métodos anticonceptivos mais disponíveis.
A publicação da pesquisa – e a defesa feita pela OMS da maior divulgação da anticonceptivos - certamente vai levantar novamente a discussão sobre descriminalização do aborto no Brasil.
O tema foi discutido pelo ministro da Saúde no início do ano, como lembrou O Estado de São Paulo num box de complementação da matéria: "De acordo com pesquisas acadêmicas, são feitos cerca de 1 milhão de abortos ilegais todos os anos no Brasil e cerca de 270 mil mulheres são internadas no Sistema Único de Saúde com complicações decorrentes disso".
Distribuição de anticoncepcionais
Talvez esteja na hora da imprensa discutir o assunto sob outro enfoque: em vez de perguntar se o aborto deve ser proibido ou liberado, é hora de perguntar como anda a distribuição de anticoncepcionais para as populações carentes no Brasil.
Seria interessante verificar se o ministro, ao propor a descriminalização do aborto, não está distraindo a atenção do público para o verdadeiro problema: o que o governo está fazendo para impedir que as mulheres, frente à gravidez indesejada, acabem optando pela prática do aborto. O que falta a estas mulheres: informação ou acesso aos anticoncepcionais?
Seria oportuno fazer uma conta para verificar quanto o governo economizaria se distribuísse anticoncepcionais a todas as mulheres que precisam, comparando com o custo de procedimentos do SUS para tentar remediar o problema e, principalmente, quantas mortes poderiam ser evitadas se a população carente tivesse a informação e os cuidados necessários para evitar o aborto.
Seria mais interessante ainda verificar se uma forte campanha de educação das mulheres mais pobres - sobre gravidez e maternidade - poderia acabar com o assassinato de crianças que são jogadas no lixo, nos rios e nas cisternas, porque as mães, despreparadas e desequilibradas, optam pela solução criminosa. Porque não tiveram escolha entre ter ou não ter filhos.
*** As taxas de aborto são parecidas entre países onde a prática é legal e onde é ilegal.
*** A proibição do aborto não inibe sua prática. A taxa de aborto por 1.000 mulheres, em 2003, foi semelhante na maioria das grandes regiões do mundo - África, Europa e América Latina - ficando entre 25 e 35.
*** Em todo o mundo os abortos correspondem a 13% das mortes de mulheres durante a gravidez ou parto.
*** Cerca de 20 milhões de abortos que podem ser considerados inseguros são feitos todos os anos no mundo e 67 mil mulheres morrem por complicações decorrentes desta prática, a maioria em países em que o aborto é considerado ilegal.
*** O número total de abortos no mundo caiu de 46 milhões, em 1995, para 42 milhões em 2003 – redução de 8,7% em oito anos.
*** A melhor forma de diminuir as taxas de aborto não é considerá-lo ilegal, mas tornar os métodos anticonceptivos mais disponíveis.
A publicação da pesquisa – e a defesa feita pela OMS da maior divulgação da anticonceptivos - certamente vai levantar novamente a discussão sobre descriminalização do aborto no Brasil.
O tema foi discutido pelo ministro da Saúde no início do ano, como lembrou O Estado de São Paulo num box de complementação da matéria: "De acordo com pesquisas acadêmicas, são feitos cerca de 1 milhão de abortos ilegais todos os anos no Brasil e cerca de 270 mil mulheres são internadas no Sistema Único de Saúde com complicações decorrentes disso".
Distribuição de anticoncepcionais
Talvez esteja na hora da imprensa discutir o assunto sob outro enfoque: em vez de perguntar se o aborto deve ser proibido ou liberado, é hora de perguntar como anda a distribuição de anticoncepcionais para as populações carentes no Brasil.
Seria interessante verificar se o ministro, ao propor a descriminalização do aborto, não está distraindo a atenção do público para o verdadeiro problema: o que o governo está fazendo para impedir que as mulheres, frente à gravidez indesejada, acabem optando pela prática do aborto. O que falta a estas mulheres: informação ou acesso aos anticoncepcionais?
Seria oportuno fazer uma conta para verificar quanto o governo economizaria se distribuísse anticoncepcionais a todas as mulheres que precisam, comparando com o custo de procedimentos do SUS para tentar remediar o problema e, principalmente, quantas mortes poderiam ser evitadas se a população carente tivesse a informação e os cuidados necessários para evitar o aborto.
Seria mais interessante ainda verificar se uma forte campanha de educação das mulheres mais pobres - sobre gravidez e maternidade - poderia acabar com o assassinato de crianças que são jogadas no lixo, nos rios e nas cisternas, porque as mães, despreparadas e desequilibradas, optam pela solução criminosa. Porque não tiveram escolha entre ter ou não ter filhos.
Comentário :
Infelizmente a questão do aborto no Brasil quase sempre está polarizado em duas frentes: feministas X igreja. As feministas defendem porque se julgam donas de seu próprio corpo e encaram isso como parte de sua emancipação. A igreja é contra porque é pecado e posiciona-se a favor da vida. Muito longe de ser um direito ou um "pecado" a discussão sobre o tema, que a imprensa tem o dever de alavancar, é muito mais complexo. Mesmo com programas eficientes de planejamento familiar e acesso à anticoncepcionais mulheres continuam recorrendo ao aborto. Quem é contra não apresenta nenhuma solução para o problema. É também preciso analisar o impacto social que a descriminalização teria. Como todo assunto polêmico, não existe consenso. Mas o importante é que o debate continue, principalmente através da mídia.
video de uma campanha contra o aborto : http://www.youtube.com/watch?v=gZ1TNAiJleY




